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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Mito Sexual- 17 de novembro de 2004


Lábios
O correspondente de IstoÉ em Nova York quase sucumbiu à sedutora boca da atriz deLara Croft e do aguardado Alexandre, enquantoa ouvia falar de cinema, política e amor livre com homens e mulheres

Ah!... A boca, claro. Em Angelina Jolie separa-se a parte do todo. O foco permanece sempre nos lábios – uma combinação indecente de fruta, mal usando as palavras da poeta Elizabeth Bishop. São ímãs que atraem mamíferos de grande porte, senhoras e senhoritas heterossexuais, e legiões sempre crescentes de adolescentes entre 11 e 19 anos. Há um desejo manifesto nesta multidão. Resolva-se o mistério destes contornos carnudos, observados desde a proximidade de três palmos de distância: são naturais. Em fotos antigas, é possível observar a promessa destas margens da boca famosa. Já eram proeminentes, enfeitando um rostinho redondo, e o conjunto herdando os mesmos contornos do pai, Jon Voight – ainda que a pele castanha seja da mãe, a atriz francesa Marcheline Bertrand.

Não é de estranhar que, com o passar dos anos, as dobras cutâneas daquele vestíbulo fantástico se transformassem em espécie de ser independente. Não há, acreditem, nenhuma ajuda adicional de colágeno na escultura daquela obra-prima. Tal boca pertence, claro, aos deuses. Já os seios, exemplares não menos desnorteantes, receberam há três anos os benefícios do silicone para o filme Lara Croft: tomb raider. Mas – infelizmente – foram logo retirados, garante a portadora. Somente um maluco como o diretor Oliver Stone poderia imaginá-la incorporando Olympias, a mãe de Alexandre, o Grande – o maior general de toda a história – em seu próximo filme Alexandre, que chega às telas americanas na quarta-feira 24 e nos cinemas brasileiros no dia 14 de janeiro. A única progenitora que poderia ser encarnada por Angelina Jolie seria outra grega famosa: Jocasta. “Quando ele me deu o roteiro, pensei: ‘Mãe? Ridículo’. Mas, depois de ler o texto, fiquei apaixonada pela personagem. Eu seria esta mulher se vivesse naqueles tempos”, disse a atriz de 29 anos, numa conversa acalentadora com ISTOÉ.

É fato notório que um mito, quando se materializa – tomando forma corpórea –, costuma decepcionar os fiéis adoradores. Há sempre um pequeno defeito, aparente ou inconspícuo, a demonstrar que a divindade, afinal, é imperfeita. Estando a três palmos do rosto de Angelina Jolie – do seu lado direito –, é possível flagrar o minúsculo detalhe que a separa do endeusamento. No centro da bochecha está cravada de modo indelével a circular cicatriz de uma pequena bolha de catapora. E mais: com certeza não nevava em meados de setembro, em Los Angeles, local da entrevista. Fazia calor ameno. Portanto, o minúsculo floco branco agarrado aos fios de cabelos acobreados – logo acima da orelhinha magnificamente torneada – não é um cristal de gelo. Talvez fosse um fragmento do linho da fronha que recentemente acomodou aquele perfil mundialmente venerado. Não, não... trata-se do impensado: é um fragmento da epiderme craniana, uma solitária unidade de caspa. Angelina Jolie, acreditem, é de carne e osso – com predominância do primeiro elemento. É humana, graças aos deuses, e, como tal, tem deficiências, pontos fracos e, principalmente, apetites intensos. “Sei dar prazer a uma mulher. Sei o que ela deseja. Fui para a cama com muitas mulheres. Adoro mulheres, assim como gosto de homens. Tenho certeza de que me deitarei com algumas delas no futuro”, disse com um sorriso provocante, que lhe separava os lábios famosos, a estrela de O colecionador de ossos (1999), Garota interrompida (1999) e Amor sem fronteiras (2003).

Os rótulos e preconceitos perseguem esta deidade pagã. Para ela, a veneração não garante impunidade. A mais injusta das opiniões a tem como um “bimbo” – adjetivo em inglês que qualifica a mulher linda e burra. Para quem não lê a imprensa séria, alerte-se: a atriz é campeã dos fracos e oprimidos na vida real. Embaixadora da Organização das Nações Unidas para Refugiados, Angelina tem peregrinado por zonas de combate, regiões de conflito e fome, confins do mundo onde o sofrimento humano salga a terra. Foi ao Sudão há um ano e meio – antes do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e do secretário de Estado americano, Colin Powell.

Thornton, sabe-se, é uma espécie de “redneck” – o caipira americano – e não concordava com a adoção de órfãos cambojanos ou cruzadas para salvar terceiro-mundistas refugiados. Angelina resolveu se dedicar aos pobres. Que, certamente, agradecem. “Existe no mundo o que é necessário fazer – como trabalhar pelos desvalidos. E há o que é necessário para a qualidade de vida do indivíduo. Para mim, é cuidar de meu filho, viajar muito e pilotar meu avião”, diz a atriz, que é piloto e tem um aparelho com pára-quedas acoplado na fuselagem. “Se for para cair morta, prefiro cair numa cama macia”, diz Angelina, com aquele sorriso do gato de Alice no País das Maravilhas.

ISTOÉ – Você agora é mãe de família. Como faz para cuidar do filho e ao mesmo tempo tratar de sua vida sexual? Dá tempo para transar?
Angelina – Claro que dá! Não tem problema algum. Tenho dois amantes – que são meus amigos há tempos. Não, não vou dizer os nomes. Eles são meus parceiros sexuais e a gente se dá muito bem. Nós vamos a um hotel e duas horas depois estou a caminho de casa. Não tem complicação alguma. Posso ficar duas horas longe das tarefas maternas.

ISTOÉ – Não existem envolvimentos emocionais mais complicados com estes dois amantes-amigos?
Angelina – Não tem nada de complicado. Nos conhecemos há tempos e nos entendemos muito bem. Não existe ciúmes ou qualquer intenção de um relacionamento mais complicado. Somos amigos e nos damos bem sexualmente também. E, se acontecer de me interessar por outros, vou fazer o mesmo. Em duas horas, num hotel, é possível dar conta dos desejos sexuais.

ISTOÉ – Com você? Duvido!
Angelina – Talvez você queira que euprove. Talvez um dia. Mas em duas horas dá tempo de sobra.

ISTOÉ – Cada amante sabe da existência do outro?
Angelina – Sim. Acho que sim. Não importa. Nós não ficamos falando de nossas vidas sexuais ou de outras pessoas. Duas horas só dão para o sexo e não para psicoterapia, o que ninguém quer. Preferimos viver a sexualidade, em vez de discuti-la. Não há interesse da parte deles em saber com quem eu me deito. Não há ciúmes, como eu disse.

ISTOÉ – São espertos estes seus amantes. Com você ao lado, quem se importa com tais nuances?
Angelina – Ei! Espero que alguém se importe. Um dia. Não agora. Mas espero que se importem...

ISTOÉ – O diário USA Today publicou uma frase sua – ou pelo menos estava entre aspas – em que você dizia que sabia dar prazer a uma mulher. Você transa com mulheres? Sabe dar prazer a elas?
Angelina – Eu adoro mulheres. Claro que sei como dar prazer a elas. Sei o que elas querem. Já transei com mulheres várias vezes. Se pintar a vontade, e as condições forem propícias, não tenho nenhum problema em transar com uma mulher. E acho que faço isso muito bem. Nenhuma reclamou.

ISTOÉ – Você já disse que não tem muita paciência com homens ocidentais. Por quê?
Angelina – Não, o que eu disse é que não tenho paciência com estes homens ocidentais que afirmam não ter paciência com suas próprias famílias. Que não têm condições psicológicas para segurar a barra da família. E se afastam da família, procurando algo egocêntrico. Como fez o meu pai, por exemplo. Nas minhas viagens à África, ao Afeganistão, ao Camboja e a outras partes do mundo, vi homens chorando porque não tinham como sustentar a família. Vi homens desesperados para arranjar comida para a família, que estava morrendo de fome. Vi homens entrarem em zonas de combate, zonas de guerra, para salvar suas famílias. Assim, não tenho mesmo paciência com os homens daqui, por exemplo, que dizem não aguentar as pressões psicológicas supostamente impostas por suas famílias. É o caso de meu pai.

ISTOÉ – Você não fala com seu pai?
Angelina – Não, não temos tido contato. Meu pai foi ausente de minha vida. E permanece assim. Faz muito tempo que não nos falamos. Meu pai adotivo é o Oliver Stone, que me ensinou a importância de ler jornais estrangeiros, olhar o mundo sob uma perspectiva diferente.

ISTOÉ – Você assistia aos filmes de seu pai?
Angelina – É engraçado. Eu fiz o filme Capitão Sky e o mundo de amanhã e levei meu filho Maddox. Ele ficou assustado em ver meu rosto tão grande na tela. O mesmo aconteceu comigo no primeiro filme que vi com meu pai, em 1979. O filme era o O campeão. O personagem dele morre no final. Fiquei supertraumatizada. E o pior é que ele apanhava muito no filme. Foi um horror. Mas, com meu filho, aconteceu que ele se assustou com o tamanho do meu rosto. Parece que eu tenho uma grande participação neste filme, mas na verdade trabalhei apenas 14 minutos. Em O espanta tubarão, meu trabalho foi ainda menor. Levei Maddox para ver e ele não acreditou que era eu. Eu dizia: “Olha, filhinho, é a mamãe lá.” Ele via o peixe e fazia não com a cabeça. E eu fiz o filme só por causa dele. Imagine!

ISTOÉ – Como foi o trabalho em Alexandre?
Angelina – É sempre maravilhoso trabalhar com o Oliver. Ele é meu diretor preferido. Em Alexandre, ele juntou as quatro pessoas mais loucas de Hollywood. Além dele, o Colin Farrell – se te interessa, eu não dormi com ele como dizem –, o Val Kilmer e o próprio Stone, além de mim. Foi uma loucura. Nos demos muito bem e o filme é uma obra-prima que merece o Oscar de melhor diretor.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

14/06/2001- Tomb Raider estréia sexta nos EUA

Não, eles não são reais. Registre essa informação porque ela é, na verdade, a resposta à primeira pergunta que você vai fazer ao ver Angelina Jolie no papel da heroína Lara Croft em "Tomb Raider", que estréia nesta sexta-feira (14) nos Estados Unidos.

Feita a inevitável menção aos seios da personagem, vamos ao que interessa. Não há nada sobre Jolie, do sutiã que aumenta em pelo menos três tamanhos sua capacidade mamária ao relacionamento publicamente kamasutrico que tem com o marido, o ator Billy Bob Thornton, que deixe de intrigar ou fascinar público e mídia.

Não há tampouco assunto ou pergunta que intimide a filha de Jon Voight, que responde a qualquer questão com desenvoltura de político em véspera de eleição.

Foi para falar de "Tomb Raider", a megaprodução de US$ 100 milhões que ela protagoniza e que será lançada com todo o alvoroço que lhe cabe nesta sexta, nos Estados Unidos, que Jolie recebeu a reportagem da Folha em Los Angeles.

Como era de esperar, o filme foi apenas um pretexto para que ela discursasse sobre bissuxualidade, armas, Billy Bob e instinto suicida.

Folha - O que você e Lara Croft têm em comum?
Angelina Jolie - Dos personagens que interpretei, ela é a que mais se parece comigo. É destemida, guerreira, arrojada, divertida. Não somos femininas ao extremo, mas sabemos ser se quisermos. Temos apetite pela vida.

Folha - Em "Tomb Raider", você trabalha ao lado de seu pai, coisa que só havia feito aos cinco anos de idade. Como foi a experiência?
Jolie - Muito emocional porque o diálogo da cena que fazemos juntos tem tudo a ver com a história de nosso relacionamento. Não conseguíamos parar de chorar.

Folha - Houve quem apostasse que seu casamento com Billy Bob duraria semanas.
Jolie - Pois é. E já estamos juntos há um ano e alguns meses. Acabamos de renovar nossos votos na cozinha de casa. Uma mulher veio nos dar a benção e fizemos ali mesmo um pacto de sangue e novas tatuagens de significado secreto e sagrado.

Folha - Você ainda coleciona facas?
Jolie - Não só facas como também diferentes tipos de armas. Meu marido e eu mantemos todas essa parafernália em um quarto trancado.

Folha - É verdade que você fez as cenas de ação sem a ajuda de dublês?
Jolie - Havia dublês no set à minha disposição, mas fiz questão de dar conta das acrobacias de Lara. Em alguns casos, porque queria me divertir. Em outros, porque os dublês não conseguiam.

Folha - Quantos acidentes?
Jolie - Vários. Joelho, tornozelo, costas, centenas de cortes e dezenas de novas cicatrizes.

Folha - Como você se relaciona com os fãs?
Jolie - Os fãs são meu porto seguro. Faço questão de tratá-los com o mesmo respeito que eles me dão. Quando minha vida estava complicada, foram eles, por meio de cartas, que me deram as mãos. Por isso, sempre que os encontro, individual ou coletivamente, quero tocá-los, beijá-los, agradecê-los.

Folha - Você já foi rotulada de gay, bissexual e heterossexual. Onde você se encaixa?
Jolie - Não há nada de errado com nenhum desses rótulos. Você ama a pessoa que ama, não importa sexo, idade ou cor. Amor é atração, é a transa perfeita, como a que tenho com meu marido. Eu encontrei o amor da minha vida e ele é um homem. Mas poderia ter sido uma mulher, porque, por mais de uma vez, já estive apaixonada por uma mulher. Não entendo como uma coisa bonita como o amor pode ser polêmica.

Folha - Por falar nisso, a imprensa insinuou que havia entre seu irmão e você uma relação incestuosa. Como você se sentiu?
Jolie - Incomoda, principalmente porque afetou minha relação com ele. Mas não acho que alguém acredite no que a imprensa diz sobre isso. Eles fazem de uma coisa bonita algo chocante. A interpretação deles vem de seus pensamentos doentios, e não de minhas atitudes.

Folha - Como o relacionamento com Billy Bob mudou sua vida?
Jolie - Se não fosse por ele e pelo meu trabalho, não estaria aqui falando com você hoje. Eu amo demais a vida, mas preciso de liberdade para ser feliz e, sem ela, sou como um animal enjaulado. Prefiro morrer do que me sentir assim. Antes de conhecer meu marido, não estava me sentindo livre.

Folha - Ao contrário da maioria dos atores, você não se importa em falar sobre sua vida pessoal.
Jolie - Minha intenção não é chocar. Compartilhar nosso amor, que é puro e inesgotável, é uma forma de celebrá-lo, de dizer que somos gratos pelo que temos. Não me importo mesmo.

09/07/2003- Angelina Jolie fala sobre bissexualidade e automutilação na TV

LOS ANGELES (Reuters) - A atriz Angelina Jolie falou sobre suas histórias de automutilação, bissexualidade e sobre o fim de seu casamento em uma entrevista na TV que irá ao ar nos Estados Unidos na próxima sexta-feira (11), pela rede ABC.


Angelina Jolie, 28 anos, falou detalhadamente sobre a felicidade e a discórdia com seu ex-marido, o ator Billy Bob Thornton, afirmando à apresentadora Barbara Walters que "achava que ele era incrível" mas que agora "sente que não o conhece".

O breve porém apaixonado casamento de Jolie com Thornton terminou no ano passado, meses depois do casal ter adotado um bebê nascido no Camboja. O casal se divorciou oficialmente em maio.

Durante os dois anos de casamento, Jolie e Thornton eram um dos casais mais badalados de Hollywood, atraindo atenção por causa de suas demonstrações de afeto inusitadas. Eles fizeram tatuagens com os nomes um do outro, usavam pingentes contendo o sangue um do outro e Jolie chegou a comprar um terreno no cemitério para o casal.

Desde a separação, entretanto, a atriz ganhadora do Oscar disse que ela e Thornton não se falam.

"Não somos amigos não. Ficamos muito diferentes um do outro e eu não saberia sobre o que conversar", disse ela, completando que removeu a tatuagem escrita "Billy Bob" de seu braço com laser.

Jolie contou que também continua sem falar com seu pai, o ator Jon Voight, apesar de uma breve reaproximação durante as filmagens de "Lara Croft: Tomb Raider".

"Falamos oi e tchau", disse a atriz.

Jolie afirmou que não namora desde que se separou de Thornton e declarou: "Acho que nunca vou me casar novamente. Não quero ter um pai temporário para meu filho."

Ainda assim, ela acredita que ainda é uma "pessoa muito sexual" e revelou que teve um caso com uma mulher.

"Fiquei muito surpresa quando de repente me vi tendo esses sentimentos que sempre tinha por homens dessa vez por uma mulher, querendo beijá-la e tocá-la."

Ela também falou do lado obscuro de seu passado, incluindo uma vontade de trabalhar em funerárias, seu fascínio por facas e sua tendência adolescente por se cortar --uma vez durante uma relação sexual.

"Eu tinha facas por toda a parte e uma vez atacamos um ao outro. Foi uma sensação tão primitiva e me senti tão sincera... Então tive que lidar com coisas como esconder de minha mãe e usar curativos de gaze para ir à escola."

Jolie disse que não se interessa mais por essas coisas. "Acho que, quando você toma a decisão de ter um filho, não pensa mais em suicídio e não pode mais ser autodestrutivo."

Angelina Jolie em entrevista de 2004

‘‘Várias vezes transei com mulheres’’A atriz americana estrela Alexandre, fala das experiênciassexuais, diz que não nasceu para ser casada e que o filho Maddox, adotado no Camboja, pode ganhar um irmãoafricano ou uma irmã chinesa.

Rebelde, tatuada, excêntrica, agressiva. Todos os adjetivos usados para definir a atriz americana Angelina Jolie, 29 anos, caem por água abaixo quando se está diante da musa. Dona de uma beleza ainda maior do que as fotos e o cinema são capazes de mostrar, Angelina é simpática, doce e chega a passar um ar de ternura ao falar de certos assuntos. Sua rebeldia se resume a um discurso politicamente engajado e crítico quanto à atuação de seu país no Exterior. Protagonista do filme do diretor Oliver Stone, Alexandre, que estréia dia 24 de novembro nos EUA e em 14 de janeiro no Brasil, a atriz falou a GENTE sobre o trabalho e sobre sua vida pessoal.

Por que acha que foi escolhida para o papel de mãe do líder em Alexandre, já que é jovem e teve que ficar mais velha para fazer o papel? Por ser bonita e assim vender mais?
Tenho consciência de que isso tudo é um negócio. Quando apareço em capas de revista, estou maquiada, produzida. Não tenho obsessão pela perfeição. Acho que fui escolhida porque há uma essência dentro de mim que corresponde à da personagem, que tinha hábitos muito específicos. Ela levava uma vida caótica, criava cobras. Eu tive que aprender a não ter medo. Elas estavam por todos os lados, no chão, na cama, nas paredes. Quando Alexandre tem 6 anos, eu ponho uma cobra na cabeça dele para lhe ensinar a nunca ter medo de nada. Gosto de cobras, mas não de pegá-las e ficar com elas como a personagem fazia. Numa cena, uma delas me agarrou na perna, enquanto eu segurava outra com as mãos, e praticamente fiquei presa, paralisada e tive que fazer um diálogo de quatro páginas assim (risos).

Este filme te ensinou alguma coisa sobre você mesma?
A mãe de Alexandre é totalmente dedicada à família e dona de uma grande força interior. Uma força que todas nós mulheres podemos entender porque estamos sempre protegendo nossas famílias e lutando pelas nossas vidas. Foi interessante explorar essa força em mim.

E o processo de envelhecimento?
Quando o filme começa, Alexandre tem 6 anos. Ele cresce e fica com 19, e eu bem mais velha. Fiquei com os cabelos grisalhos, tive que mudar a voz e deixar que um peso grande caísse sobre as costas para mudar a postura. Uma mulher branca fica com a pele muito enrugada e as veias aparentes. Houve um trabalho grande para resolver isso. Quando me vi no espelho me senti mais mulher. Acho que vou curtir quando chegar nessa idade.

O fato de você ser mãe agora lhe ajudou na interpretação? (Angelina adotou uma criança do Camboja, Maddox, hoje com 3 anos)
Sim. Busquei a minha experiência pessoal para fazer esse papel.


Como o filme interferiu na sua vida?
Nós adoramos fazer o filme. Eu e Maddox tivemos que tirar 2 passaportes porque um ficou totalmente cheio e foi preciso outro para colocar tantos carimbos. Quase chegamos ao terceiro passaporte. Quando tínhamos folga (parte das filmagens foi no Marrocos), nós saíamos para viajar. Visitamos seis países, e acho que essa é a melhor forma de se criar uma criança. Ele adora viajar e gosta muito de avião.

Não é uma vida muito instável para uma criança?
Depende. Acho que realmente é importante que ele fique com os amigos, na escola e tenha estabilidade, mas acho também que seria importante para nós dois podermos passar uns 6 meses no Camboja para ele se familiarizar com o ambiente de seu próprio país.

Vai adotar outras crianças?
Sim, e talvez no próximo ano. Maddox quer ter um irmão e está aprendendo sobre diferentes cores de pele. Acho que esse irmão poderá ser da África e quem sabe uma irmãzinha da China.

Pretende ter um filho biológico?
Não, sinto que Maddox já é minha família.

É melhor para seu filho que você tenha uma vida de aventuras do que ser casada?
Eu não fui feita para ser casada. Fui feliz em meus casamentos com Billy (Bob Thornton, ator) e Jonny (Lee Miller, ator). Foram grandes relacionamentos e com eles aprendi muito, mas no momento estou voltada para outras coisas. O casamento tira a liberdade para fazer certas coisas.

Como faz para cuidar do filho e ao mesmo tempo tratar de sua vida sexual?Dá tempo para transar?
Claro que dá. Não tem problema algum. Tenho dois amantes – que são meus amigos há tempos. Não vou dizer os nomes. São meus parceiros sexuais, e a gente se dá muito bem. Nós vamos a um hotel, e duas horas depois estou a caminho de casa. Não tem complicação alguma.

E não há envolvimentos emocionais com estes dois amantes-amigos?
Não. Nos conhecemos há tempos e nos entendemos muito bem. Não existe ciúme ou qualquer intenção de um relacionamento mais compli-cado. Somos amigos, e nos damos bem sexualmente também. É só.

Cada um sabe do outro?
Acho que sim. Não importa. Não ficamos falando de nossas vidas sexuais. Preferimos viver a sexualidade, em vez de discuti-la. Não há interesse deles em saber com quem eu me deito.

Você transa com mulheres?
Eu adoro mulheres. Claro que sei como dar prazer a elas. Sei o que elas querem. Já transei com mulheres várias vezes. Se pintar a vontade, e as condições forem propícias, não tenho nenhum problema em transar com uma mulher. E acho que faço isso muito bem. Nenhuma reclamou.

Você já disse não ter paciência para os homens ocidentais. Por quê?
O que eu disse é que não tenho paciência para estes homens ocidentais que falam que não têm condições psicológicas para segurar a barra de sua família. E se afastam da família procurando algo egocêntrico. Como fez o meu pai (o ator John Voight). Nas minhas viagens à África, Afeganistão, Camboja, vi homens chorando porque não tinham como sustentar sua família. Vi homens desesperados para arranjar comida para a família que estava morrendo de fome. Vi homens entrarem em zonas de guerra para salvar suas famílias. Assim, não tenho paciência para homens que dizem não agüentar a pressão psicológica que suas famílias lhes impõem.

Você não fala com seu pai?
Não temos tido contato. Meu pai foi ausente de minha vida. E permanece. Faz muito tempo que não nos falamos.

Como ficou amiga dos ex-maridos?
Não mentimos um para o outro, ao contrário, conversamos muito. Eu e o Jonny fomos muito honestos nas nossas posições. Sobre o que não poderíamos mudar, não ficou raiva, só compreensão. Nunca nos magoamos, e o mesmo aconteceu entre mim e o Billy.

A cada filme ouvimos que você está saindo com o ator principal.
Estou sempre com todo mundo (risos). Às vezes minha mãe (a atriz francesa Marcheline Bertrand) me liga para saber se é verdade. Acontece porque sou solteira, é natural.

Incomoda-se quando seu filho percebe isso? Como o protege disso?
Morando na Europa (Angelina está morando em Londres). É a melhor coisa que faço para Maddox. Na França, é proibido publicar fotos de crianças nos jornais. Se eu morasse na Califórnia, ele seria muito mais badalado. Quando penso em levar Maddox para a Disney, tenho que aceitar o fato de ver a foto do meu filho no jornal. Então, para que ele tenha uma vida
normal, tenho que tirá-lo do foco.

O que gostaria que Maddox herdasse de você?
Gosto de fazer coisas para o mundo, de beneficiar os outros. Gostaria de ser exemplo nesse sentido. Gostaria de ver meu filho, aos sete anos, tendo compaixão, sendo generoso.

Você é embaixadora da ONU e viaja para países pobres. Sofre pelas crianças?
Não posso ter essa atitude. Não fico triste. Sinto raiva pelo desequilíbrio social e sei que as coisas poderiam ser resolvidas mais rapidamente. O Afeganistão espera dinheiro para reconstruir o país. Os Estados Unidos adiam esse dinheiro, mas gastam milhões de dólares por ano para manter os militares lá. Isso me faz sentir mal.